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Questões do Enem 2025 foram retiradas do cálculo da nota pela dificuldade; saiba quais


Todo ano, algumas questões do Enem são anuladas no cálculo das notas para evitar distorções no resultado. O mecanismo, considerado normal, também apareceu na edição de 2025, que teve três itens descartados após análise técnica do Inep, responsável pela aplicação da prova.

A exclusão ocorre dentro da TRI (Teoria de Resposta ao Item), modelo estatístico que estima a proficiência do candidato a partir do padrão de acertos. Para calibrar as questões, o Inep usa a estimação por máxima verossimilhança marginal, que ajusta parâmetros como dificuldade e discriminação de cada item e reduz o efeito de acertos ao acaso —o famoso “chute”.

Uma questão é retirada quando é tão fácil ou tão difícil que não diferencia os candidatos, caso chamado de “problema de convergência”, ou quando apresenta comportamento inesperado, com baixo poder de discriminação entre alunos de diferentes níveis.

Segundo o Inep, dois itens da aplicação regular —o 172 de matemática e o 125 de ciências da natureza, ambos da prova azul— foram excluídos por “problema de convergência”. Já na reaplicação e na prova para pessoas privadas de liberdade (PPL), o item 62 (prova azul) de ciências humanas foi retirado por baixa discriminação.

Em termos de nota, não faz diferença se o aluno acertou ou errou a questão anulada pela TRI. É como se ela nunca tivesse existido na prova. Ela não dá pontos para todos —nem tira.

Para o professor Paulo Scherrer, diretor da Gama Pré-Vestibular, não há registro recente de edições sem esse tipo de ajuste. “Deveríamos ver essas anulações como algo positivo. É uma forma de proteção do cálculo”, afirma.

A questão 125 de ciências da natureza, anulada por problema de convergência, cobrava estequiometria envolvendo volume de gases e rendimento de reação. O item exigia relacionar a decomposição do bicarbonato de amônio à quantidade de gás produzida, aplicar a equação dos gases ideais e ajustar o resultado a um rendimento de 80%.

“Essa questão foi anulada por ser muito difícil”, diz Scherrer. “Com ela, não era possível discriminar os participantes nem identificar quem tinha melhor desempenho.”

A segunda questão excluída na aplicação regular, a 172 de matemática, teve problema semelhante. O item cobrava função logarítmica e exigia analisar uma expressão que modelava a pressão de uma máquina ao longo do tempo, determinando o maior valor de um parâmetro para manter o resultado dentro de um limite.

Já a única questão anulada na reaplicação, a 62 de ciências humanas, abordava o afundamento do solo em Maceió associado à exploração de sal-gema. O item exigia reconhecer a dissolução de rochas subterrâneas e seus efeitos na superfície, mas, diferentemente das questões de exatas, não envolvia cálculo.

Para Scherrer, o motivo da anulação é menos evidente nesse caso, mas pode estar ligado ao comportamento das alternativas apresentadas. Uma hipótese é a presença de distratores fortes, com opções incorretas plausíveis que levaram até candidatos de maior desempenho ao erro. Outra possibilidade é o uso de terminologia específica, como “sal-gema”, que pode ter confundido parte dos participantes.

As informações foram identificadas a partir dos microdados do Enem, divulgados pelo Inep em 22 de junho.

Scherrer, que identificou as questões e comentou o tema em suas redes sociais, avalia que esses dados nem sempre são amplamente explorados para evitar interpretações equivocadas.

“O aluno que fez a prova pode ter uma visão errada e pensar ‘perdi mais tempo na questão, poderia ter ignorado’, mas não é assim que a TRI funciona”, afirma.



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