Enquanto o cidadão faz contas para pagar o supermercado, o combustível e as despesas do mês, a máquina pública segue funcionando a todo vapor.
Os números estão no Portal da Transparência da Prefeitura de Bonito e não são opinião. São dados oficiais.
Hoje, o município mantém 160 servidores em cargos comissionados, com uma folha de pagamento de R$ 842.306,51 por mês.
Em apenas um ano, isso representa R$ 10.107.678,12. Mas a conta não termina aí. Quando chega dezembro, entra em cena o 13º salário, elevando o desembolso anual para aproximadamente R$ 10.949.984,63.
É dinheiro suficiente para fazer qualquer contribuinte se perguntar: essa estrutura realmente entrega tudo o que custa?
Ninguém está dizendo que cargos comissionados são ilegais. Eles existem, são previstos em lei e cumprem funções de direção, chefia e assessoramento. O debate é outro: o tamanho dessa estrutura é compatível com a realidade de Bonito?
Enquanto isso, o turismo enfrenta um momento de retração, comerciantes relatam queda no movimento, empresários cobram políticas de incentivo, ruas aguardam manutenção, bairros precisam de melhorias e a população espera avanços na saúde, na educação e na infraestrutura.
Mais de R$ 10 milhões por ano poderiam ampliar investimentos em obras, fortalecer o turismo, modernizar unidades de saúde, melhorar escolas, apoiar o esporte, a cultura e criar programas de geração de emprego e renda. A questão não é extinguir cargos comissionados, mas discutir se a quantidade existente é realmente necessária e se o retorno para a população justifica esse investimento.
A transparência existe para que o cidadão acompanhe os gastos públicos, faça perguntas e cobre resultados. Afinal, cada centavo aplicado pela administração municipal tem origem no bolso do contribuinte.
Os dados são públicos. O debate também deve ser.
Fonte: Portal da Transparência da Prefeitura de Bonito-MS. Dados da folha de pagamento dos cargos em comissão: 160 servidores e R$ 842.306,51 mensais.
Bonito Sem Filtro: porque fiscalizar o dinheiro público não é fazer oposição. É fazer jornalismo.

