Por Bonito Sem Filtro
No dia 7 de outubro, a Operação Águas Turvas soprou sua primeira velinha. Isso mesmo: um ano inteiro se passou desde que o GECOC e o GAECO desembarcaram por aqui, acordando a cidade com mandados de busca, apreensão e aquela correria nos corredores que de “turva” só teve a transparência da gestão.
Para quem não se lembra (ou prefere esquecer), o cardápio da época era indigesto: investigações sobre um suposto esquema gourmetizado de licitações direcionadas, propinas para servidores e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas que passavam da bagatela de R$ 4,3 milhões.
Passados 365 dias, o cidadão bonitoense olha para o relógio, olha para o prato e se faz a pergunta que vale um milhão (ou 4,3 milhões): a Justiça vai entregar a cereja do bolo ou só mais uma pizza quentinha com borda recheada de impunidade?
O “Slow Food” do Judiciário (A Comida sem Pressa da Justiça)
Enquanto quem paga imposto tem prazo curto para tudo, a burocracia do processo criminal anda no ritmo do chamado “Slow Food” (o movimento da “comida lenta”, onde tudo é feito sem pressa e bem devagar) — parecendo até um passeio de flutuação em dia de chuva: contemplativo e sem urgência alguma de chegar ao fim.
Claro, a turma do colarinho branco não ficou parada assistindo. Corrida aos tribunais superiores em Brasília, pedidos para anular provas, tentativas desesperadas de “trancar” o inquérito… Teve de tudo no menu da defesa. A boa notícia é que o STJ não engoliu os argumentos e manteve as apurações de pé.
Mas e o resultado prático para a cidade? Por enquanto, ficamos com as “recomendações de governança e compliance” do Ministério Público. Traduzindo do jargão jurídico para o bom português: “Por favor, parem de fazer lambança nos contratos públicos”. Uma recomendação carinhosa, quase um apelo maternal.
A Sobremesa do Povo
Em uma cidade que vive do ecoturismo e vende ao mundo a imagem de águas cristalinas, é no mínimo irônico ver a gestão pública mergulhada em águas tão turvas — e pior, com o processo rodando a passos de cágado enquanto os envolvidos continuam circulando como se nada tivesse acontecido.
Investigação complexa dá trabalho? Com certeza. Perícia em celular e quebra de sigilo demora? Sem dúvidas. Mas o povo de Bonito não quer saber de receita demorada; quer saber quem vai pagar a conta desse banquete.
Se o inquérito vai virar um grande rodízio onde ninguém sai culpado ou se finalmente teremos a cereja do bolo com condenações e devolução do dinheiro público, a Justiça ainda não respondeu. Mas uma coisa é certa: no Bonito Sem Filtro, a gente não deixa a pizza esfriar e vai continuar cobrando cada centavo.
Afinal, águas limpas a gente exige na natureza… e também na Prefeitura.


