A Minerva Foods avalia que o novo Indicador de preços do Boi Datagro para o Rio Grande do Sul pode ganhar espaço nas negociações entre frigoríficos e pecuaristas e, no futuro, servir de base para contratos de compra de gado e para a precificação de animais com entrega futura. A avaliação é de Fabiano Tito, diretor de Compra de Gado Latam da companhia.
Segundo o executivo, a principal contribuição do indicador é oferecer uma referência de mercado baseada em negócios efetivamente realizados. Os preços são informados tanto por compradores quanto por vendedores, o que, na avaliação da Minerva, aumenta a transparência das negociações e reduz a assimetria de informações entre indústria e pecuaristas.
“Ele é formado por negócios efetivamente realizados e os preços são informados pelas duas pontas, tanto a ponta compradora quanto a vendedora”, afirmou Tito.
A Minerva já utiliza indicadores da Datagro em parte de suas operações de compra de gado no Centro-Norte do país. De acordo com o executivo, alguns contratos são estruturados com o indicador como preço de referência, ao qual são adicionadas premiações conforme o perfil e a qualidade dos animais entregues pelo produtor.
O mesmo modelo poderá ser adotado no Rio Grande do Sul à medida que o novo indicador ganhe histórico e confiança entre os participantes da cadeia. A ideia, segundo Tito, seria estabelecer um preço-base a partir do indicador e acrescentar prêmios relacionados às características do gado negociado.
“Seu animal no perfil X, então o preço base dele passa a ser o indicador, mais os prêmios relacionados àquilo que ele está entregando”, explicou.
Mercado físico e futuro
O executivo também destacou o potencial do indicador para aproximar as negociações do mercado físico das operações futuras. No caso de São Paulo, o indicador da Datagro já serve como referência para a liquidação de contratos futuros de boi gordo, o que reforça a importância de uma referência regional consolidada.
Para Tito, a construção de uma série histórica no Rio Grande do Sul será fundamental para ampliar esse uso. Com dados acumulados, a indústria poderá identificar movimentos de preços e sazonalidades e utilizar essas informações na elaboração de modelos de projeção.
A Minerva já trabalha com modelos próprios para oferecer preços futuros aos pecuaristas gaúchos. O novo indicador, segundo o executivo, poderá ser utilizado para calibrar essas ferramentas e melhorar a precisão das estimativas.
“Com a ajuda do indicador, eu vou conseguir calibrar o meu modelo e vou conseguir precificar isso melhor”, disse.
Na prática, a companhia poderá utilizar o indicador como referência para o preço do mercado físico, como componente de contratos atrelados ao preço do dia e também como uma das bases para projetar valores futuros.
Indicador ainda pode ser aperfeiçoado
Apesar do potencial, Tito afirma que o indicador ainda deve passar por ajustes conforme o mercado gaúcho avance na utilização da ferramenta. Uma das discussões em andamento é a possibilidade de segmentar os preços por categorias de animais.
Isso ocorre porque a pecuária do Rio Grande do Sul apresenta características diferentes de outras regiões brasileiras. O indicador atual busca representar o preço do bovino macho terminado, mas há diferentes categorias de animais de abate no estado, como boi adulto e novilho.
“Talvez a gente vá ter que segmentar, abrir um pouco mais. É uma discussão que já está tendo. Mas o importante agora é começar, fazer funcionar para a gente ir melhorando”, afirmou.
Para a Minerva, a expectativa é que a maior transparência na formação dos preços ajude a reduzir ruídos nas negociações e ofereça maior previsibilidade tanto para o pecuarista quanto para os frigoríficos.


