Prefeito e vice foram apontados como vítimas em caso de calúnia e difamação contra dez pessoas. Vieram BO, prints, depoimentos e 149 páginas. Quando o MP fez as contas, faltou justamente o que não se compra com taxa: prazo.
Uma discussão sobre a Taxa de Conservação Ambiental de Bonito conseguiu fazer um passeio mais longo que muito turista. Saiu do Facebook e dos grupos de WhatsApp, passou pela Delegacia de Polícia e desembarcou no Juizado Especial. O processo nº 0900225-90.2026.8.12.0028 chegou a 149 páginas e terminou, até aqui, com o Ministério Público pedindo a extinção da punibilidade.
Nos autos aparecem como vítimas o prefeito Josmail Rodrigues, a vice Juliane Ferreira Salvadori e o Município de Bonito. Dez pessoas foram relacionadas como autoras dos fatos investigados por suposta calúnia e difamação.
A taxa foi parar na delegacia
A confusão nasceu durante a reação à cobrança ambiental. A Polícia Civil recebeu prints de Facebook e WhatsApp, comentários do grupo “Trade de Bonito” e publicações criticando a administração e os R$ 15 cobrados por dia do turista. O material foi oficialmente juntado aos autos.
Tem de tudo um pouco. Um dos prints chama Bonito de “cidade tóxica” e critica Josmail. Outro reproduz notícia sobre a mobilização do setor turístico contra a taxa. Há ainda questionamentos sobre o destino do dinheiro arrecadado.
Em resumo, reclamar da taxa deixou de ser apenas assunto de grupo. Ganhou número de processo.
Duas das pessoas ouvidas reconheceram manifestações, mas afastaram intenção de difamar. Elenice Aparecida da Silva Rocha, por exemplo, declarou que apenas compartilhou uma publicação e manifestou indignação com a cobrança.
Vieram as audiências. E veio o calendário
A audiência de 16 de junho não resolveu a novela. Josmail e vários dos apontados como autores não haviam sido intimados, e o ato acabou remarcado para 18 de agosto.
Só que havia um personagem trabalhando em silêncio e sem precisar de intimação: o calendário.
Em 17 de agosto, o promotor Felipe Blos Orsi registrou que os delitos apurados dependiam de ação penal privada. Segundo o MPMS, os ofendidos conheciam a autoria desde 27 de novembro de 2025, mas não havia nos autos informação sobre apresentação da necessária queixa-crime dentro do prazo legal de seis meses.
A conclusão veio sem rodeios: o Ministério Público manifestou-se pela extinção da punibilidade.
No dia seguinte, a audiência marcada para 18 de agosto foi cancelada.
Muito barulho, 149 páginas e seis meses
O caso produziu investigação, depoimentos, certidões, intimações, prints e uma senhora papelada. Mas processo criminal não anda apenas na força da indignação. Tem rito e, principalmente, prazo.
Depois de todo o esforço para levar as críticas das redes sociais até o Fórum, foi justamente o relógio que apareceu no parecer do MP.
Foram 149 páginas. O que faltou, segundo o Ministério Público, foram seis meses bem aproveitados.
E aqui o Bonito Sem Filtro News coloca o filtro jurídico que alguns títulos mais apressados poderiam esquecer: o MP pediu a extinção da punibilidade, mas nas 149 páginas analisadas ainda não aparece sentença posterior do juiz acolhendo o pedido.
Portanto, a palavra final ainda pertence à Justiça.
Por enquanto, Josmail e Juliane foram à polícia por causa das críticas, o caso atravessou meses no Judiciário e, quando chegou a hora da manifestação decisiva do Ministério Público, quem tomou conta da cena não foi nenhum dos dez envolvidos.
Foi o calendário.




