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Prefeito se cala e mantém secretário alvo do Gecoc; polícia esteve na secretaria e na casa dele


Secretário comanda a pasta há duas gestões; Investigação revelou pagamentos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados.

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O prefeito de Três Lagoas, Dr. Cassiano (PP), manteve no cargo o secretário de Infraestrutura, Transporte e Trânsito, Osmar Dias Pereira. Ele foi alvo de mandados do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) na quinta-feira, mas continua oficialmente no cargo.

O Gecoc realizou operação na Secretaria de Infraestrutura e em outros 19 locais. Entre os alvos, o secretário Osmar Dias. A Polícia Militar e o Gecoc estiveram na residência dele, em Castilho, a 30 quilômetros de Três Lagoas.

Osmar está no cargo desde 1° de 2022, na gestão de Ângelo Guerreiro. Antes de assumir a pasta, ele era diretor de serviços públicos. Com a vitória de Cassiano, sucessor de Guerreiro, ele se manteve no comando da secretaria.

A reportagem indagou o prefeito sobre a operação, mas ele não respondeu. Em nota, na quinta-feira, a Prefeitura de Três Lagoas informou apenas que ainda “não sabia o motivo da operação” e que irá se manifestar assim que tiver acesso as informações.

O vereador Davis Martinelli, que fez mais de uma denúncia ao Ministério Público, cobrou uma resposta imediata e o afastamento cautelar do secretário até que tudo seja devidamente apurado e esclarecido.

“Não se trata de pré-julgamento ou condenação, mas de uma medida de transparência, prudência e respeito à investigação. Três Lagoas merece respostas”, opinou.

O Caso

O Gecoc cumpriu, na última quinta-feira, 19 mandados de busca e apreensão na Operação Máquinas de Areia, que deriva da Operação Cascalho de Areia. Após a operação na Capital, em 2023, o Gecoc identificou que o esquema era estruturado e também realizado na Região do Bolsão. Agora, envolvendo quatro empresas com nomes diferentes, mas com mesmo administrador. A empresa MS Brasil tinha contato de R$ 3 milhões em 2022 e em 2024 chegou a R$ 18 milhões.

Os contratos firmados em Três Lagoas tinham como objetivo o aluguel de máquinas, caminhões, ônibus e veículos, além de combustível e operação de um modo geral, incluindo até alimentação de trabalhadores.

Entre os alvos da operação, André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, empresário e produtor rural, proprietário da empreiteira ALS. Os policiais também foram até a Engenex, de propriedade de Edcarlos Jesus da Silva.

Segundo o Gecoc, o grupo teria como finalidade fraudar a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, maquinários e equipamentos pesados para serviços diversos, bem como a execução de contratos de infraestrutura para revestimento primário.

“Levantamentos indicam que, entre os anos de 2018 e 2026, os contratos e aditivos somados ultrapassaram a cifra de 100 milhões de reais. As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, prejuízo efetivo à população”, diz a nota do Ministério Público.





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