Homem estava com o investigado quando policiais do Batalhão de Choque chegaram ao imóvel

O proprietário da casa ao lado do galpão onde a polícia encontrou 1,22 tonelada de maconha escondida em um bunker, na madrugada desta terça-feira (28), no Jardim Itamaracá, afirmou que desconhecia a existência da droga e que nunca desconfiou de Leandro Larrea da Silva, de 31 anos, preso em flagrante após assumir a responsabilidade pela carga.
Proprietário de imóvel vizinho ao galpão onde 1,22 tonelada de maconha foi encontrada em um bunker, no Jardim Itamaracá, em Campo Grande, afirmou desconhecer a droga e disse que confiava em Leandro Larrea da Silva, de 31 anos, preso em flagrante. O suspeito tinha a chave do local por trabalhar como pedreiro no imóvel e confessou ter recebido R$ 10 mil para guardar a carga, apreendida durante a Operação Protetor.
Em entrevista à reportagem na manhã desta terça-feira, o homem, de 42 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, contou que era amigo de Leandro havia bastante tempo e que não imaginava que ele pudesse estar envolvido com o tráfico de drogas.
“Nós não tínhamos envolvimento algum. Era nosso amigo, como iríamos imaginar? É aquele ditado que a mãe fala: olha com quem você anda. Não dávamos nada. Eu o conhecia há muito tempo”, afirmou.
O galpão onde o bunker foi localizado fica ao lado da residência do entrevistado e está passando por reforma. Segundo ele, Leandro trabalhava como pedreiro e permanecia com a chave do local porque seria responsável pela reconstrução de parte da estrutura, que havia desabado.
“O menino que ficava ali tem a chave porque ele é pedreiro. Ele que ia construir, porque o barracão caiu”, explicou.
Apesar da proximidade, o proprietário afirmou que a casa e o galpão são imóveis separados. Ele disse que utilizava o espaço apenas para guardar veículos e que havia retirado os carros depois de um pedido de Leandro.
“Eu cuido de lá porque coloco meus carros para dentro do barracão. Ele, como pedreiro, tinha que ficar com a chave. Tanto é que ele mandou eu tirar meus carros de lá para medir o muro. Deixamos todos aqui do lado de fora, mas estávamos aguardando ele medir”, relatou.
Os veículos foram colocados em um terreno baldio ao lado da oficina. O homem afirmou que ele e outro amigo haviam passado cerca de 15 dias em um rancho e retornado no fim de semana. O local possui câmeras de segurança, mas, segundo ele, os equipamentos não estavam funcionando.
Antes da apreensão da droga, equipes do Batalhão de Choque já haviam ido ao endereço outras duas vezes. Na primeira visita, conforme o proprietário, os policiais disseram ter recebido informação sobre um homem armado dentro da oficina.
Ele explicou que o homem era policial e apresentou a documentação do veículo que estava sendo consertado. A equipe deixou o local sem realizar apreensões.

Na segunda visita, o dono da casa afirmou ter começado a desconfiar de que alguma coisa poderia estar errada, mas disse que ainda não suspeitava de Leandro.
Na noite de ontem, que terminou com a apreensão da maconha, o homem contou que estava lavando a oficina e encerrando o expediente quando os policiais chegaram. Ele autorizou a entrada da equipe e mostrou os imóveis.
“Nós estávamos trabalhando. Eles vieram lá de cima, dava para ver a polícia. Eu não vou correr, não estava devendo”, disse.
Segundo o rapaz, os policiais entraram primeiro no galpão e depois foram até a residência. A droga foi localizada em um compartimento escondido no fundo do terreno, após indicação do cão farejador Zeus.
“Nós abrimos lá para eles e entramos aqui. Acharam o negócio e me falaram. Aí ele falou: ‘Eu nem comentei com vocês’”, contou, ao se referir a Leandro.
O homem também alegou ter sido agredido durante a abordagem. Segundo ele, os policiais acreditavam que os demais presentes sabiam da existência da droga.
“Os policiais falaram um monte de merda para nós e ainda tomei uns tapas na cara porque acharam que eu sabia de alguma coisa”, declarou.
Questionado se permitiu as buscas por acreditar que nada seria encontrado, o dono da casa afirmou que apenas colaborou com o trabalho policial.
“Eu fiz o meu papel. Falei que poderiam ficar à vontade e eles ficaram. Não levantávamos suspeita alguma do nosso amigo, porque não tinha como. Ele era que nem nós, trabalhador”, afirmou.
O proprietário explicou ainda que a presença de viaturas no endereço era comum, já que a oficina prestava serviços para diferentes profissionais e instituições.
“Aqui tem carro de polícia, bombeiro. Vem um monte de gente e carro aqui, então, para mim, é normal”, disse.
Entenda – A carga foi encontrada durante os desdobramentos da Operação Protetor. Conforme o boletim de ocorrência, o cão Zeus indicou a presença de droga perto de uma porta antiga no fundo do terreno. Atrás da estrutura, os policiais localizaram o bunker com tabletes e fardos de maconha.
A apreensão foi dividida em duas cargas, uma de 489,4 quilos e outra de 731,8 quilos, totalizando 1.221,2 quilos.
Leandro afirmou aos policiais que havia recebido a droga naquele mesmo dia e que outra pessoa iria buscá-la no dia seguinte. Ele também declarou que receberia R$ 10 mil para manter o material escondido no imóvel.
O suspeito foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Os outros dois homens que estavam no local foram encaminhados à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, prestaram esclarecimentos e foram liberados.
A maconha foi entregue à Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

