Se você achava que a inflação de Bonito só afetava o preço da flutuação ou do prato de peixe nos restaurantes, prepare o bolso (e o ouvido): a inflação do show sertanejo bateu recordes históricos no município.
Para fechar o Festival de Inverno com “chave de ouro” — ou melhor, com nota de cem —, a Prefeitura de Bonito resolveu desembolsar nada menos que R$ 463 mil para contratar a dupla Humberto & Ronaldo.
Até aí, tudo bem… afinal, cultura não tem preço, certo? Errado. Tem preço sim, e em Bonito ele custa R$ 203 mil a mais.
Em abril deste ano, a Prefeitura de Deodápolis contratou a mesma dupla, com a mesma produtora, no mesmo Estado, por R$ 260 mil.
A explicação oficial para o “pequeno” acréscimo no contrato de Bonito? O tempo de palco:
Deodápolis: 1h30 de show = R$ 260 mil
Bonito: 2h30 de show = R$ 463 mil
Fazendo a matemática dos bastidores: A Prefeitura de Bonito topou pagar R$ 203 mil por 60 minutos a mais. Isso dá salgados R$ 3.383,33 por minuto de modão. Se o cantor parar para tomar uma água por 30 segundos, lá se foram R$ 1.600 do pagador de impostos. É a hora de trabalho mais valiosa da América Latina!
A viagem no tempo da contabilidade pública
Mas a mágica não para no cachê. O departamento de finanças da Prefeitura resolveu inovar e praticar a física quântica orçamentária.
Embora o contrato tenha sido assinado em 2026 para um show que acontece em agosto de 2026, a despesa foi lançada no empenho como… “Despesas de Exercícios Anteriores”.
Será que a gestão municipal tem uma máquina do tempo ou o show na verdade já aconteceu no passado e ninguém avisou os moradores
Da Secretaria de Governo, com carinho
E como dinheiro de cultura parece que não dá em árvore, a verba saiu de onde? Da Secretaria de Cultura? Do Turismo? Obviamente não.
A bolada saiu direto da Secretaria Municipal de Governo, usando recursos classificados carinhosamente como “Outros Recursos não Vinculados” — aquele famoso “dinheiro livre” que poderia ir para a saúde, infraestrutura ou manutenção da cidade, mas vai para a saideira do domingo.
O “Combo Bonito”: Cachê é só a entrada
Se você achou que R$ 463 mil cobrem o espetáculo todo, parabéns pelo otimismo! Esse valor é só a carteira de trabalho dos artistas e da equipe.
O palco, o som, a iluminação, os geradores, a segurança, as taxas do ECAD e até a energia elétrica continuam por conta do contribuinte bonitense, em contratos separados.
Resumo da Ópera (ou do Modão)
Ninguém duvida do talento de Humberto & Ronaldo, nem do charme do Festival de Inverno. A questão é simples: perguntar não dói, mas pagar R$ 3,3 mil por minuto extra faz o bolso de qualquer cidadão sangrar.
Se a transparência na aplicação do dinheiro público é a prioridade, o mínimo que a população merece é uma explicação sem rodeios. Mas, enquanto ela não vem, nos resta sentar e aproveitar os 60 minutos mais caros do ano!


