InícioSaúdeCanetas emagrecedoras: mercado informal representa 50% das vendas no Brasil

Canetas emagrecedoras: mercado informal representa 50% das vendas no Brasil


O mercado informal de canetas emagrecedoras pode responder por mais da metade das doses consumidas no Brasil. De acordo com um estudo realizado pela Scanntech, o uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O aumento corresponde à soma do mercado formal e da estimativa de consumo do mercado informal, com base na análise da evolução das vendas de seringas em farmácias. A empresa construiu uma linha de base histórica associada ao consumo de insulina.

Na pesquisa quantitativa com consumidores, apenas 5,2% dos usuários afirmam utilizar medicamentos manipulados. Já no estudo que estima o consumo total de canetas a partir de dados de mercado, os resultados indicam que o canal informal pode representar mais de 50% das doses em circulação no país. 

 

As vendas desse material de aplicação injetável, acima da tendência esperada para o consumo de insulina, foram utilizadas como indicador do uso de medicamentos adquiridos em ampolas, fora dos canais formais de comercialização.

“Embora não seja possível mensurar diretamente o mercado informal, podemos buscar relações. Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias”, explica Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech.

De acordo com os dados da pesquisa, a motivação de uso do GLP-1 vai além das indicações médicas. O combate à obesidade é a principal motivação declarada (29,5%).

Outros itens também estão na lista: perda rápida de peso (28,6%), o controle do apetite (23,8%) e a manutenção de peso (24,1%) aparecem logo em seguida, acima de outras questões de saúde, como a redução do risco cardiovascular (22,8%) e diabetes tipo 2 (16,7%). 

A maior concentração de consumidores está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. Consumidores com mais de 50 anos têm, estatisticamente, o menor consumo. 

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Reflexo no consumo

O impacto não se concentra apenas nas perdas. Os números apontam crescimento em categorias de produtos, além das canetas, como alimentos frescos (+11,5%), academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%).

Entre os usuários, 29% relataram perda de massa magra, um dado que ajuda a contextualizar o crescimento observado em proteínas e suplementos. 

A diferença entre os resultados das duas análises não representa uma inconsistência. Enquanto a pesquisa captura as respostas declaradas pelos consumidores, o estudo de varejo estima o consumo a partir do comportamento observado no mercado, sugerindo que parte dos usuários pode não declarar ou não ter ciência de que seu medicamento é originado fora de uma cadeia formal de abastecimento

 

*Sob supervisão de Thiago Félix



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