Sanesul fez a afirmação durante a apresentação de estudo sobre a expansão do saneamento no Estado

Na manhã desta segunda-feira (22), a Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) afirmou que irá universalizar o acesso à água em aldeias indígenas no Estado até o fim de 2027. A meta foi apresentada após o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Mato Grosso do Sul”, encomendado pela empresa e divulgado na Governadoria, em Campo Grande.
A Sanesul anunciou nesta segunda-feira (22) que vai universalizar o acesso à água em aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul até 2027. O governador Eduardo Riedel destacou que 120 mil indígenas ainda não têm acesso à água de qualidade. Os projetos envolvem obras em Dourados, Itaporã e parceria com a Itaipu Binacional, abrangendo 19 aldeias. A crise no abastecimento se arrasta há décadas na região.
Na apresentação do estudo, o governador Eduardo Riedel (PP) destacou que a ampliação do abastecimento nas comunidades indígenas depende de uma decisão política e de articulação entre Estado, União, bancada federal e a própria Sanesul.
“Essa questão é discutida e nunca houve uma decisão política de fazê-la, nunca houve. Nós tomamos uma decisão, nós vamos fazer. São 120 mil indígenas que não têm acesso à água de qualidade. Nós vamos resolver esse problema”, afirmou.
De acordo com o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, os projetos em andamento envolvem duas frentes. A primeira é voltada às aldeias de Dourados e Itaporã, onde o processo licitatório já foi realizado e aguarda os trâmites legais para homologação e emissão da ordem de serviço. A previsão, segundo ele, é de que a execução comece ainda neste ano e que o abastecimento esteja concluído em cerca de um ano e meio.
“Esse processo a gente já viu na licitação, aparentemente teve sucesso. Nós estamos aguardando os prazos legais para homologar e dar ordem de serviço antes do prazo eleitoral para que isso possa correr dentro do prazo eleitoral sem interrupção”, disse.
A segunda frente envolve parceria com a Itaipu Binacional. Conforme Renato, foram elaborados 19 projetos para aldeias indígenas, dos quais oito devem ser executados nesta etapa, com expectativa de continuidade em um novo convênio.

“Nós já temos dois editais lançados, e aí na sequência nós vamos fazer os outros seis que faltam. Então, tem tudo para que a gente inicie todas as obras esse ano. Em 60, 90 dias no máximo as obras vão estar iniciando. E vamos dizer, um ano, um ano e pouquinho até complementar”, declarou.
O anúncio ocorre em meio a um problema histórico nas aldeias indígenas do Estado, sobretudo na Reserva de Dourados, onde a falta de água já motivou protestos, bloqueios de rodovias e sucessivas cobranças por uma solução definitiva. Ao longo dos últimos anos, moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru denunciaram torneiras secas, uso de água de córregos e minas, além da dependência de caminhões-pipa e reservatórios improvisados.
A crise no abastecimento se arrasta há décadas em Dourados. Em 2016, indígenas já relatavam falta de manutenção em poços e redes, além de risco à saúde pelo consumo de água imprópria. Mais recentemente, em 2024 e 2025, a escassez voltou a provocar manifestações e levou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a apurar denúncias de abandono nas aldeias, com relatos de falhas no acesso à água potável e à assistência básica.
Em janeiro deste ano, o governo estadual apresentou obra para implantar 5.991 ligações de água nas aldeias Bororó e Jaguapiru, com promessa de encerrar o desabastecimento nas duas comunidades.
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