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A história da mulher de 37 anos investigada em Santa Catarina por se passar por uma menina de 12 anos chamou a atenção pela combinação de identidade falsa, aparência juvenil e relato de vulnerabilidade. Segundo as investigações, Amanda Maria Souza de Oliveira usava o nome de uma criança, dizia ter sido vítima de abandono e violência e conseguiu ser acolhida por uma família, que acreditava estar protegendo uma menor em situação de risco.
Embora pareça um caso raro, episódios parecidos já foram registrados em outros países. Em alguns deles, adultos se apresentaram como crianças ou adolescentes para tentar adoção, conseguir abrigo, frequentar escolas ou entrar na rotina de famílias. As histórias mostram como relatos de trauma, documentos frágeis e confiança emocional podem abrir caminho para farsas difíceis de detectar.
Barbora Škrlová: a mulher que virou menina e depois menino
Um dos casos mais parecidos com o de Santa Catarina ocorreu na Europa e envolveu Barbora Škrlová, uma mulher tcheca de 33 anos. Ela ficou conhecida depois de se passar por uma menina de 13 anos e tentar ser adotada, em um episódio que mobilizou autoridades e ganhou repercussão internacional.
A história ficou ainda mais bizarra quando Barbora fugiu para a Noruega. Lá, segundo reportagens da época, ela assumiu outra identidade: a de um garoto de 13 anos chamado Adam. A farsa enganou serviços de proteção, professores e colegas de escola por vários meses, até que sua verdadeira idade foi descoberta.
O caso se misturou a uma investigação maior de abuso infantil na República Tcheca, da qual Barbora teria tentado se afastar. A identidade infantil, nesse contexto, funcionava não apenas como fraude social, mas também como forma de escapar do alcance das autoridades.
Charity Johnson: a “adolescente” de 34 anos no Texas
Nos Estados Unidos, Charity Johnson foi presa em 2014 depois de se passar por uma estudante de 15 anos no Texas. Ela usava o nome Charite Stevens e frequentou uma escola particular cristã em Longview durante quase um ano letivo.
A história também teve um componente familiar. A mulher vivia com uma responsável que acreditava estar acolhendo uma adolescente órfã e vítima de abuso. Essa guardiã chegou a cuidar dela como se fosse uma menor, comprando roupas e ajudando em tarefas cotidianas, até começar a desconfiar da versão apresentada.
A farsa foi descoberta depois que a responsável acionou a polícia. Charity acabou identificada como uma mulher adulta e foi detida por fornecer informações falsas às autoridades. Mais tarde, recebeu uma pena de prisão por não se identificar corretamente.
Frédéric Bourdin: o “camaleão” que virou filho desaparecido
O francês Frédéric Bourdin é um dos impostores mais famosos do mundo. Conhecido como “O Camaleão”, ele passou anos assumindo identidades falsas, muitas delas de adolescentes abandonados, desaparecidos ou vítimas de violência.
Seu caso mais conhecido ocorreu em 1997, quando ele se apresentou como Nicholas Barclay, um garoto americano desaparecido no Texas três anos antes. Mesmo sendo francês, tendo sotaque, olhos de cor diferente e aparência incompatível com a do menino, Bourdin conseguiu convencer autoridades e foi levado aos Estados Unidos.
A família de Nicholas o recebeu em casa acreditando que o filho desaparecido havia sido encontrado. Para justificar as diferenças físicas, Bourdin contou que havia sido sequestrado e submetido a abusos, o que teria alterado sua aparência. A versão sustentou a mentira por meses.
Treva Throneberry: a adulta que viveu anos como adolescente
Treva Throneberry, dos Estados Unidos, também ficou conhecida por assumir identidades adolescentes ao longo de vários anos. Ela usou diferentes nomes, contou histórias de abuso e abandono e conseguiu circular por escolas, casas de famílias, abrigos e ambientes de assistência.
Uma de suas identidades mais conhecidas foi Brianna Stewart. Sob esse nome, ela frequentou uma escola no estado de Washington e viveu como se fosse uma jovem estudante. Colegas, professores e pessoas próximas acreditaram na história por tempo suficiente para que ela participasse da vida escolar como adolescente.
Relatos sobre o caso apontam que Treva repetia um padrão: aparecia como uma jovem traumatizada, dizia não ter apoio familiar e despertava a compaixão de adultos dispostos a ajudá-la. A identidade falsa permitia acesso a moradia, proteção e credibilidade.
Brian MacKinnon: o estudante de 30 anos que voltou à escola
Na Escócia, Brian MacKinnon protagonizou outro caso famoso de adulto passando por adolescente. Aos cerca de 30 anos, ele voltou a estudar em sua antiga escola, em Glasgow, usando o nome Brandon Lee e se apresentando como um jovem canadense de 16 anos.
MacKinnon conseguiu enganar colegas e professores. Frequentou aulas, participou da rotina escolar e obteve bons resultados acadêmicos. O caso só veio à tona depois que pessoas começaram a questionar sua aparência e seu passado.
Diferentemente dos casos ligados a acolhimento, MacKinnon não tentou ser adotado nem se apresentou como criança abandonada. Seu objetivo parecia estar mais ligado à vida escolar e à possibilidade de refazer uma trajetória acadêmica.
O limite entre caso real, acusação e mito
Nem toda história popular sobre adultos que fingiram ser crianças pode ser tratada como fato comprovado. Um exemplo delicado é o caso de Natalia Grace, adotada nos Estados Unidos. Seus pais adotivos afirmaram que ela seria uma adulta se passando por criança, mas Natalia sempre negou essa versão.
Nos últimos anos, novos exames e reportagens reforçaram a interpretação de que Natalia era, de fato, menor de idade quando foi adotada. Por isso, o caso deve ser citado com cuidado: não como exemplo confirmado de uma adulta impostora, mas como uma acusação controversa em contexto de adoção.
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