Está em andamento um investimento de aproximadamente R$ 26 milhões para a construção de um emissário com cerca de 22 km de extensão. A obra tem como objetivo principal retirar o lançamento de efluentes que hoje é feito no Córrego Bonito e direcioná-lo para a região do Córrego Mutum.
Mas, em meio ao anúncio da grande obra, uma série de perguntas fundamentais segue sem respostas públicas claras: qual é a qualidade do esgoto tratado que é lançado atualmente no Córrego Bonito? E essa mudança de local serve realmente para resolver o problema ou estaria sendo feita para atender interesses particulares?
Essa deveria ser a questão central do debate. Afinal, antes de definir para onde o efluente será levado, a população tem o direito de saber em que condições ele sai da estação de tratamento — e também quais motivações estão por trás da escolha do novo ponto de lançamento.
Há anos, moradores do Córrego Bonito relatam reclamações constantes, como mau cheiro e aparência inadequada da água — relatos que levantam uma dúvida legítima: se o sistema funciona como deveria, por que essas queixas persistem?
Discursos e apresentações não bastam. A resposta confiável está nos laudos, nas análises e nos relatórios de monitoramento — e, principalmente, na divulgação ampla desses dados para todos.
O papel da Fundação Neotrópica e o acompanhamento do Ministério Público
Em fevereiro deste ano, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o projeto “Monitoramento da Água na Bacia Hidrográfica do Rio Formoso”, desenvolvido pela Fundação Neotrópica do Brasil.
Na ocasião, a Promotoria requisitou formalmente todos os materiais produzidos: relatórios completos, análises técnicas detalhadas, mapas, gráficos e os resultados finais dos estudos. O objetivo era justamente verificar a consistência das informações, garantir a transparência e assegurar que os dados sirvam efetivamente para a preservação dos recursos hídricos da região.
No entanto, até o momento, a população apenas tomou conhecimento da existência do pedido e do trabalho realizado pela Neotrópica. Os resultados completos das análises, que poderiam esclarecer a real qualidade da água e do tratamento de esgoto, ainda não foram amplamente divulgados.
Muitas perguntas continuam sem resposta:
- O que os estudos da Neotrópica identificaram sobre a qualidade do efluente lançado hoje?
- Como está a saúde do Córrego Bonito e da região que receberia o esgoto no futuro?
- Os dados técnicos embasam realmente a necessidade de investir R$ 26 milhões apenas para mudar o local de despejo?
Outros estudos e a dúvida sobre o real objetivo
Paralelamente, estão chegando à fase final os estudos ambientais realizados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a SEMADESC. Os trabalhos avaliaram qualidade da água, capacidade de suporte de poluentes, hidrogeologia, uso do solo e outros aspectos importantes da região — resultados que devem embasar o planejamento do município.

Diante de todo esse cenário, as questões se multiplicam:
Não seria prudente que a população conhecesse todos esses dados antes de dar como definida uma obra de tamanho valor? Afinal, o investimento serve para resolver a qualidade do tratamento ou apenas para alterar o local onde o efluente será despejado? E, pior ainda: essa mudança estaria sendo feita para beneficiar interesses de grupos ou pessoas específicas, em vez de priorizar o bem comum e o meio ambiente?
Porque transferir o lançamento de um córrego para outro não resolve o problema se o que é jogado continua com a mesma qualidade questionável. Além disso, levanta a suspeita de que o objetivo não seja exatamente a preservação, mas sim livrar uma determinada região do impacto, levando-o para outra — sem que a sociedade tenha acesso a provas técnicas que justifiquem essa decisão.
Com o crescimento de Bonito — mais moradores, mais turistas e maior volume de resíduos —, a preocupação aumenta ainda mais. A transparência nos dados e a clareza sobre as reais motivações da obra são direitos da população.
Essas são as informações que ainda faltam no centro desse debate.



Todos os comentários que vamos fazer temos de ser coerente pra não ser injusto, essa é minha opinião. E pra falar desta matéria jornalistica fiquei pensando, será que a serpente que o Sinhozinho deixou presa dentro da caverna despertou? Eu na minha simples visão das coisas digo,ela não so despertou mas também começou a destruir de vez o nosso município, começando pelas nossas águas cristalina que na verdade nos últimos anos se tornaram turvas, quem não se lembra da operação feita pelo gaeco ( operação águas turvas). Alí foi descoberto que pra deixar uma cidade no noticiário nacional era fácil, pois os responsáveis pelos escândalo de corrupção era atores de histórias infantil, aonde o líder era e é o perigoso POUCA SOMBRA. Mas voltando ao esgotamento sanitário, o poder público municipal junto com o estadual estão colocando o esgoto de bonito em baixo do tapete ou melhor no córrego Mutum. Pobre e indefeso Mutum,que vai ver sua fauna se acabar como vimos a do córrego bonito,que entre os anos 80 e 90 nas suas águas se encontrava cardumes de piraputanga bem alí na ponte da marambaia. Levar o esgotamento sanitário do córrego bonito para o Mutum e tranferir o problema e matar outro rio. Tem solução com muito menos recurso pra este problema. Estou falando por ser um profundo conhecedor do problema sou bonitense nato nascido e criado as margens do formoso, deste rio tomei meu primeiro gole de água desse rio tomei meu primeiro banho. Minha família chegou nesse Rincão a mais de 200 anos e aqui neste Rincão quero acabar meus dias maís jamais cair sem lutar. Um pedido a todos os que seguem bonito sem filtro me ajudem nessa luta nao vamos tranferir os problemas do córrego bonito para o Mutum. Sem muita luta, vimos o córrego bonito morrer e se não nos posicionamos iremos ser testemunhas da morte do Mutum. # salveomutum.