InícioEducaçãoPolícia abre inquérito contra estudantes que invadiram reitoria da USP

Polícia abre inquérito contra estudantes que invadiram reitoria da USP


Um inquérito foi instaurado no 93º Distrito Policial para investigar os estudantes que invadiram a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) durante três dias, na última semana. O prédio foi esvaziado após ação da Polícia Militar, na madrugada de domingo (11), com uso de gás lacrimogêneo e formação de um “corredor polonês” para golpes de cacetete.

O caso foi classificado como dano ao patrimônio público, crime previsto no Artigo 163 do Código Penal, com pena de 6 meses a 3 anos de detenção e multa.

Durante a desocupação, os agentes apreendem diversos itens pessoais dos alunos. Dentre eles, aparelhos eletrônicos como notebooks e celulares.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informa que os itens foram encaminhados para perícia no Instituto de Criminalística. “A autoridade policial deverá representar judicialmente pela quebra de sigilo telefônico, com o objetivo de identificar elementos que possam comprovar a prática de crimes, como dano, invasão mediante violência ou outros delitos correlatos”, complementa a pasta.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP entende estar em curso “mais uma medida de coação institucional diante da ocupação legítima realizada na reitoria, enquanto o movimento estudantil buscava tão somente diálogo com restabelecimento de mesa de negociação encerrada unilateralmente”.

Eventual representação pela quebra de sigilo telefônico, opina a entidade, “representaria mais uma ilegalidade, dentre tantas outras cometidas, como a força exacerbada utilizada”.

A invasão da reitoria da USP ocorreu na quinta-feira (7). Desde a madrugada daquele dia, os grevistas faziam um ato em frente ao prédio na tentativa de dialogar com a gestão de Aluisio Segurado, que dias antes havia encerrado as discussões sobre as demandas estudantis.

Por volta das 16h, o espaço foi tomado. Os estudantes pularam, depois derrubaram um gradil para chegar ao acesso da unidade, que estava trancado e foi tombado aos chutes.

A reitoria ficou ocupada até a madrugada de domingo, quando a polícia fez uma ação para retirar os invasores. Segundo os alunos, ao menos cinco pessoas ficaram feridas. A SSP nega que os alunos tenham sido machucados e diz apurar eventuais excessos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoiou o trabalho da corporação.

Depois do caso, a USP disse não ter sido informada previamente sobre a operação e lamentou a violência.

O caso serviu como combustível à greve dos estudantes. Após propostas da instituição para reajustar o valor do auxílio estudantil, o movimento vinha perdendo força.



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