Do torneiro mecânico e amigo dos bares à gestão do caos: o que aconteceu com o velho e bom “Barriga”?
Bonito conhece bem a sua própria história e a de quem nela cresceu. Na memória do nosso povo, ainda está bem viva a imagem de Josmail Rodrigues, o eterno “Barriga”. Homem de origem humilde, trabalhador, torneiro mecânico de profissão, pai de família que viu seus próprios filhos nascerem e crescerem nesta terra. Aquele homem simples, gente da gente, que gostava de sentar nos bares para tomar uma com o povo e conversar de igual para igual.
Foi essa humildade e proximidade que conquistaram o coração da cidade. Bonito deu a ele uma trajetória política brilhante e histórica: foi o vereador mais votado da história do município e, mais tarde, consagrado como o prefeito eleito com a maior votação que Bonito já viu. O povo não apenas votou; o povo confiou a cidade a um amigo de velhas datas.
Mas hoje, ao olhar para a realidade do nosso município, a pergunta que corta o coração do bonitense é uma só: Onde foi que o povo errou com você, Prefeito?
O que aconteceu com o “CARA” ? O que foi feito daquele homem do povo?
Hoje, a ilusão acabou e a realidade bate forte à porta de todos. E o pior: não é só na periferia, O Barriga é democratico. O caos administrativo e o abandono tomaram conta de todas as ruas da cidade, que se estende sem piedade até o Distrito de Águas do Miranda, que sofre com o mesmo descaso.
A população assiste perplexa a obras de péssima qualidade: asfaltos novos, com menos de dois anos de feitos, sendo literalmente arrancados e abandonados à própria sorte. O resultado é o morador convivendo diariamente com o transtorno, o barro e a poeira, seja no Portal do Formoso, na Vila Mimito, na Rua Monte Castelo, na Rua Olívio Flores, no Jardim Andréia ou na Vila Recreio.
Mas o buraco é mais embaixo, e o sofrimento transborda o asfalto. A cidade agoniza com o colapso nos serviços básicos:
A saúde está abandonada, marcada pela revoltante falta de medicamentos essenciais;
Até a básica coleta de lixo virou motivo de revolta e reclamação generalizada da comunidade.
Como um homem que veio da periferia permite que o seu povo passe por tamanha falta de respeito?
Fica no ar um sentimento doloroso e uma dúvida cruel: será isso algum tipo de revanche ou vingança contra a própria cidade? O que leva um gestor, que recebeu o maior carinho e a maior votação da história deste município, a tratar com tamanho desdém os bairros, o distrito e as famílias que o viram crescer? Vingança contra quem sempre lhe estendeu a mão e o colocou no topo? O povo de Bonito não merece ser punido por ter acreditado.
Existe uma frase antiga que define com precisão o que Bonito testemunha hoje: “Quer conhecer uma pessoa? Dê a ela o poder.”
O poder veio, e com ele a metamorfose que entristece a nossa cidade. O político que um dia foi o símbolo da simplicidade hoje entrega uma gestão caótica, obras descartáveis, postos sem remédios e vira as costas para quem o projetou. Bonito merecia o respeito e a consideração de quem recebeu a maior votação da história, e não esse rastro de abandono.
O povo continua o mesmo, o mesmo que te abraçou e te colocou no topo. A diferença é que hoje esse povo não pede favores: cobra a dignidade que a sua terra, os seus bairros e o seu distrito merecem.














