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Diretor preso conseguiu mudar boletim de ocorrência e ‘tinha controle da polícia’ após ‘pagar aluguel’ de delegada e policial


Policial foi responsável por solicitar o pagamento de combustível, custeio de despesas relacionadas à Delegacia, pagamento de aluguel destinado à delegada adjunta, Cynthia Karoline Bezerra e, posteriormente, o custeio da locação de imóvel destinado a policial lotado na unidade, utilizando sua posição funcional como mecanismo para obtenção de sucessivas vantagens indevidas junto a Jacob Meeuwis Breure, tudo em troca de manter uma rede de apoio às atividades ilícitas de presidente do Hospital.

Denúncia apresentada pelo Gecoc, na Operação Pix Sujo, aponta que o diretor do hospital municipal, considerado líder de esquema de corrupção, tinha controle até da polícia no Município de Sidrolândia.

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Documentos apresentados pelo Gecoc apontou que a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho utilizava sua função púbica para conferir proteção institucional ao esquema criminoso liderado por Jacob Meeuwis Breure, diretor do hospital municipal de Sidrolândia.

“Cristina atuava como verdadeira intermediária entre Jacob e integrantes da Delegacia de Polícia de Sidrolândia, solicitando vantagens patrimoniais em benefício próprio e de terceiros, intermediando o custeio de despesas particulares de autoridades policiais, antecipando informações protegidas pelo sigilo funcional, revelando a identidade de denunciantes, acompanhando procedimentos investigativos em tempo real, fornecendo documentos internos da unidade policial e colocando a própria estrutura da Polícia Civil à disposição dos interesses particulares do investigado”, relata o Gecoc.

O Gecoc denuncia que diálogos extraídos dos aparelhos celulares revelam que Cristina comunicava previamente operações policiais, informava quem conduziria procedimentos investigativos, encaminhava fotografias de boletins de ocorrência, comprometia-se a obter acesso antecipado a depoimentos e, inclusive, afirmava que realizaria a “correção” das declarações prestadas por conduzidos antes da conclusão dos respectivos procedimentos.

Ainda segundo a denúncia, Cristina foi responsável por solicitar o pagamento de combustível, custeio de despesas relacionadas à Delegacia, pagamento de aluguel destinado à delegada adjunta, Cynthia Karoline Bezerra e, posteriormente, o custeio da locação de imóvel destinado a policial lotado na unidade, utilizando sua posição funcional como mecanismo para obtenção de sucessivas vantagens indevidas junto a Jacob Meeuwis Breure, tudo em troca de manter uma rede de apoio às atividades ilícitas de presidente do Hospital.

Em 13 de abril de 2023, Cristina volta a procura Jacob para antecipar a realização de operação policial que ocorreria no dia seguinte em Sidrolândia.

Em áudio encaminhado ao investigado, afirma: “Nós conseguimos quinze policiais aí de Campo Grande. Amanhã vem fazer uma operação aqui na cidade. Aí eu pedi pra eles dar uma passada aí pelo Posto Global também. E aí, se tiver algum pedido especial, você me fala. Daí eu dou a ordem pra eles.

“O que se verifica é que Jacob Meeuwis Breure passou a utilizar a força policial como verdadeira extensão de seus interesses privados, acionando agentes públicos sempre que necessitava proteger seus negócios, neutralizar fiscalizações ou obter informações privilegiadas”, pontuou o Gecoc.

Em outra ocasião, Cristina repassa informações “em off” sobre ações iminentes do GAECO, afirmando que o grupo “prenderia meio mundo” dentro de um prazo específico de sete dias.

Benefícios para delegada

O Gecoc detalha que em 18 de março de 2024, a policial civil Cristina procurou Jacob para tratar de benefício de natureza estritamente pessoal em favor da delegada. Inicialmente, solicita que o investigado comparecesse à Delegacia de Polícia para conversarem sobre uma promessa anteriormente assumida por ele, consistente no custeio do aluguel da residência que seria ocupada por Cynthia Tapias.

Segundo o Gecoc, mensagens revelam que a delegada já havia escolhido o imóvel e que, ao descobrir que este pertencia a Lúcio Mauro Borges Basso, sócio de Jacob Meeuwis Breure na empresa Inovar Aviação Agrícola, Cristina passou a discutir diretamente com o Presidente do Hospital a melhor forma de operacionalizar a ocupação do imóvel, sempre sob o eufemismo de uma suposta “cortesia”.

No entendimento do Gecoc, o custeio de despesa essencial como moradia aproxima-se da criação de verdadeira relação de patrocínio privado da autoridade pública, situação absolutamente incompatível com os princípios que regem a atividade de polícia judiciária.

Em outro episódio, em 2023, a investigadora procurou Jacob solicitando que custeasse a retirada de adesivos e o polimento de uma viatura descaracterizada destinada à utilização da delegada.

“Bom dia amigo, tem como ajudar mais uma vez nós? Precisava mandar descaracterizar uma viatura… ficou um orçamento de R$ 450,00.” Na sequência, Cristina orienta expressamente: “Se puder aí manda o PIX direto pra delegada.” E complementa: “Pra ela saber que é você que ajudou.” O diretor do hospital solicita a chave pix da delgada e faz a transferência.

Em 20 de junho de 2024, a investigadora Cristina voltou a procurar Jacob para solicitar novo favor de natureza patrimonial. Na ocasião, informa que determinado policial lotado na Delegacia de Sidrolândia necessitava de uma residência para morar, esclarecendo que o imóvel inicialmente prometido pela advogada Djenane Comparin não seria mais disponibilizado.

Diante dessa circunstância, Cristina passa a tratar diretamente com Jacob a alternativa de que ele próprio, juntamente com seu sócio Lúcio Mauro Borges Basso, assumisse o custeio do antecipar a realização de operação policial que ocorreria no dia seguinte em Sidrolândia.

Outro caso

Em 10 de maio de 2023, após denúncia envolvendo médico que atuava irregularmente no Hospital Dona Elmíria, Jacob Meeuwis Breure valeu-se de sua influência sobre a servidora para obter a identificação do denunciante, antecipando-se à atuação estatal e criando condições para a adoção de estratégias de defesa ou eventual retaliação.

Cristina comunica Jacob por mensagem: “Passa aqui quando puder. A questão do médico irregular aí, vou te falar quem fez a denúncia”. Na sequência acrescenta: “Não vamos falar no telefone. Deve estar grampeado. Telefone de polícia vive grampeado. Falamos pessoalmente”.

Segundo o Gecoc, Além de revelar a identidade do denunciante, Cristina demonstra  plena consciência da ilicitude de sua conduta, razão pela qual insiste para que o assunto seja tratado presencialmente, evitando registros telefônicos.





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