InícioMundoAutoridade Palestina adia eleições previstas para novembro - 09/10/2026 - Mundo

Autoridade Palestina adia eleições previstas para novembro – 09/10/2026 – Mundo


A Autoridade Palestina, na Cisjordânia ocupada por Israel, informou à França nesta semana que as eleições legislativas no território, marcadas para 28 de novembro, serão suspensas por vários meses, segundo duas autoridades a par da situação.

A mensagem foi transmitida em uma carta dirigida ao ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, por Hussein al-Sheikh, vice-presidente da Autoridade Palestina.

A suspensão das eleições ocorre em um momento em que o Fatah, partido governista da Autoridade Palestina, enfrenta divisões, sobretudo em razão do governo cada vez mais autoritário do presidente Mahmoud Abbas.

Tel Aviv, que controla a entrada de urnas e observadores eleitorais na Faixa de Gaza, também tem demonstrado pouca disposição para viabilizar o pleito. Essa falta de colaboração dificulta o trabalho da comissão eleitoral da Autoridade Palestina, segundo três diplomatas ocidentais.

Os representantes palestinos e os diplomatas ocidentais falaram ao The New York Times sob condição de anonimato, pois não estão autorizados a comentar publicamente os temas sensíveis.

Uma suspensão das eleições não ajuda Abbas em seus esforços para convencer os países europeus e os Estados Unidos de que é capaz de promover mudanças no sistema político palestino. A União Europeia é uma das principais apoiadoras da Autoridade Palestina, pressionando o governo a realizar reformas democráticas e eleições.

Em setembro de 2025, o presidente francês Emmanuel Macron reconheceu o Estado palestino na reunião anual da Assembleia Geral da ONU, citando uma série de compromissos assumidos por Abbas perante ele, entre eles “uma reforma profunda da governança palestina”.

Cerca de três meses antes, o presidente palestino havia enviado uma carta a Macron na qual se comprometia a realizar eleições sob supervisão internacional em um ano “para renovar a governança palestina”. No mês passado, Barrot reafirmou o compromisso de Paris com as eleições palestinas ao escrever um artigo no The Wall Street Journal que terminava com as palavras: “Eleições palestinas já”.

Pierre-Arnaud Blanchard, diplomata francês residente no Washington Institute for Near East Policy, afirmou haver “profunda decepção e frustração” na França.

“Há também a sensação de que se perdeu uma oportunidade de dar novo fôlego e legitimidade à Autoridade Palestina”, disse ele.

A Autoridade Palestina, que administra partes da Cisjordânia, é alvo há anos de acusações de corrupção. O governo americano afirmam que o órgão só poderá desempenhar um papel relevante na Gaza pós-guerra se passar por uma reforma significativa.

Abbas, de 90 anos, foi eleito no início de 2005, após a morte de seu antecessor, Iasser Arafat. Como líder da Autoridade Palestina, Abbas consolidou seu poder ao afastar rivais, marginalizar o Judiciário e cooperar com Israel na área de segurança.

Analistas disseram que a decisão de adiar as eleições decorreu, em parte, do temor de funcionários de alto escalão da Autoridade Palestina de que uma votação pudesse corroer ainda mais sua legitimidade, já em declínio.

“As eleições representam uma ameaça ao presidente e àqueles que o cercam”, disse Jehad Harb, especialista palestino em política.

A última vez que os palestinos participaram de eleições nacionais foi em 2006, e o processo resultou em um governo frágil, isolamento internacional e, por fim, violência. Na votação daquele ano, um partido rival ligado ao Hamas derrotou o Fatah por ampla margem, dando início a um ano e meio de difícil compartilhamento de poder.

Os Estados Unidos e grande parte do Ocidente se recusaram a trabalhar com o governo de unidade porque o Hamas, classificado como organização terrorista por muitos países, não aceitava exigências como renunciar à violência.

Fatah e Hamas travaram então uma breve guerra civil na Faixa de Gaza. Os combates terminaram em junho de 2007, quando o Hamas tomou o controle do território após derrotar as forças leais a Abbas e restringir sua autoridade a partes da Cisjordânia.



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