InícioSaúdeHistórico familiar de doenças define sua saúde? Entenda papel da genética

Histórico familiar de doenças define sua saúde? Entenda papel da genética


Descobrir que um parente próximo já foi diagnosticado com uma doença grave pode trazer o medo de ter herdado a mesma condição. Carregar a genética da família, no entanto, não significa sempre repetir o mesmo histórico de saúde.

Isso acontece devido à diferença entre a herança de uma mutação determinante e a simples predisposição genética.

Muitas vezes, em diagnósticos de doenças crônicas e complexas, os genes herdados funcionam apenas como um fator de risco que interage continuamente com outras caractéristicas, como a idade, o ambiente e os hábitos de vida do indivíduo.

O médico geneticista Ciro Martinhago, especialista pela SBGM (Sociedade Brasileira de Genética Médica), desmente a ideia de que uma doença que apareceu repetidas vezes em uma família será transmitida para as próximas gerações de forma inevitável.

Na maioria das vezes, não funciona dessa maneira. O histórico familiar é uma informação muito importante para avaliarmos risco, mas risco não é sinônimo de diagnóstico.

médico geneticista Ciro Martinhago

Câncer, diabetes e Alzheimer

Algumas doenças podem explicar como funciona a influência do histórico familiar. Para o câncer, por exemplo, dados do  INCA (Instituto Nacional de Câncer) mostram que apenas de 5% a 10% dos casos têm origem hereditária.

Nesses casos, considerados raros, alterações genéticas específicas aumentam a probabilidade de desenvolvimento de tumores. Porém, presença dessas variantes não garante que a doença vá se manifestar.

Em casos de diabetes tipo 2, o histórico de pais ou irmãos com a doença precisa de atenção, mas não é determinante. Para que a doença se manifeste, deve ocorrer uma combinação multifatorial que envolve alimentação, peso corporal e prática de atividades físicas.

Com o Alzheimer, embora parentes de primeiro grau afetados aumentem a suscetibilidade, a maioria dos diagnósticos não decorre de uma única mutação genética.

As formas hereditárias diretas são raras e chamam atenção por atingir várias gerações ou surgir de forma precocemente.

“Precisamos diferenciar genes que aumentam uma probabilidade daqueles capazes de determinar o aparecimento de doenças. Uma pessoa pode carregar uma predisposição a vida toda e nunca desenvolver a condição. Por isso, um resultado genético precisa ser interpretado dentro do contexto clínico”, afirma Martinhago.

Quando o histórico serve de alerta

Apesar de nem sempre significar um diagnóstico, o histórico familiar acende um alerta para a necessidade de investigar em casos específicos: diagnósticos em idades muito jovens, múltiplos parentes com o mesmo tipo de doença ou a repetição de condições raras entre gerações.

Mapear a saúde dos parentes, segundo o geneticista, deve servir como ferramenta de prevenção, e não para causar pânico.

 



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