O Aeroporto de Malpensa, em Milão, mudou de nome nesta sexta-feira (25) em homenagem ao ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, em uma decisão criticada por seu caráter partidário.
A decisão de dar ao terminal aeroportuário do norte da Itália o nome de Berlusconi, político de centro-direita e magnata da mídia cujos três mandatos como primeiro-ministro foram marcados por escândalos e processos judiciais, foi tomada pouco depois de sua morte, em 12 de junho de 2023, e não sem controvérsia.
Participaram da cerimônia, realizada nesta sexta na área de desembarque do Terminal 1 de Malpensa, integrantes do governo italiano de Giorgia Meloni, entre eles o ministro dos Transportes, o ultradireitista Matteo Salvini, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, líder do partido Forza Italia, fundado por Berlusconi, e membros da família do ex-premiê.
As autoridades revelaram uma nova placa com o novo nome oficial do aeroporto: Aeroporto Internacional de Milão-Malpensa Silvio Berlusconi. “Que melhor forma de contribuir para a memória de Silvio do que dar seu nome à porta de entrada para a Europa e o mundo?”, afirmou seu irmão, Paolo.
Marina, filha de Silvio Berlusconi, disse à agência italiana de notícias Ansa que seu pai passou a vida “olhando para a frente e para longe”. “Gosto de pensar que, a partir de hoje, seu nome dará as boas-vindas a quem vem de outros países e acompanhará aqueles que decolam rumo a novos destinos”, acrescentou.
Uma ausência notável na cerimônia foi a do prefeito de centro-esquerda de Milão, Giuseppe Sala, que havia recorrido sem sucesso à Justiça para tentar impedir a mudança de nome.
Sala argumentou, também sem sucesso, que Salvini havia acelerado a iniciativa sem consultar os prefeitos locais e outras entidades envolvidas.
A oposição italiana sustentou, da mesma forma, que a decisão desrespeitava uma lei segundo a qual espaços públicos não podem receber o nome de pessoas mortas há menos de dez anos.
Até a noite desta sexta-feira, o site do aeroporto ainda não havia sido atualizado para refletir a mudança.
Berlusconi morreu em 2023, aos 86 anos, de leucemia. A entrada dele na política, na metade da década de 1990, significou uma nova fase do populismo na Europa no pós-Guerra Fria.
Além de feitos na política, na comunicação e no futebol, acumulou frases sexistas e racistas, fez da Itália alvo de escárnio mundial com as festas “bunga-bunga” e virou réu em mais de 30 processos, de corrupção à prostituição infantil.


