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MS mapeia estradas rurais para evitar isolamento na chuva


Diagnóstico pretende apontar pontos críticos e orientar futuras ações de infraestrutura no campo

Quando a chuva aperta no interior de Mato Grosso do Sul, algumas estradas desaparecem debaixo da água, outras viram lama e comunidades inteiras passam a depender de uma janela de tempo firme para conseguir sair de casa ou receber mantimentos.

O governo de Mato Grosso do Sul criou um grupo de trabalho para mapear as estradas rurais dos 79 municípios do estado. O Decreto nº 16.802 prevê a criação de uma base georreferenciada com dados sobre natureza, extensão e condições de trafegabilidade dos acessos. O levantamento, que terá 180 dias, visa orientar investimentos em infraestrutura e evitar isolamentos como o registrado no Pantanal do Paiaguás no início deste ano.

Foi o que ocorreu no Pantanal do Paiaguás no início deste ano, quando moradores de propriedades rurais entre Sonora e Coxim relataram ficar isolados após a água cobrir o aterro da MS-214, conhecida como Transpantaneira Paiaguás. A estrada, construída em uma região naturalmente alagável, ficou tomada pela cheia após semanas de chuva.

“Patrão dá um jeito, mas as famílias dos funcionários das fazendas estão completamente isoladas. Nem comida está chegando para eles”, contou na época o pecuarista Kin Monteiro Hindebrand.

A situação expôs um problema recorrente para quem vive no campo: sem um diagnóstico completo dos acessos rurais, o poder público tem dificuldade para definir quais trechos precisam de intervenção antes que o período chuvoso provoque novos bloqueios.

Agora, antes da próxima temporada de chuvas, o Governo de Mato Grosso do Sul começou um levantamento para identificar onde estão as estradas rurais do Estado e quais são as condições de cada uma delas.

Publicado no Diário Oficial, o Decreto nº 16.802 criou um Grupo de Trabalho Interinstitucional responsável por montar uma base de dados georreferenciada dos acessos e estradas rurais dos 79 municípios sul-mato-grossenses.

Segundo o decreto, o objetivo é reunir informações que ajudem no “planejamento territorial, na gestão da infraestrutura e na execução coordenada das políticas públicas estaduais”. O documento aponta ainda que o conhecimento detalhado dessas vias é considerado “instrumento indispensável” para orientar decisões de investimento no meio rural.

Com isso, o Estado pretende criar uma espécie de mapa das estradas de terra, identificando onde elas estão, qual o tamanho dos trechos, a quais propriedades estão vinculadas e principalmente como está a condição de passagem.

Entre os pontos que serão avaliados pelo grupo está a classificação dos acessos quanto à “natureza, extensão, trafegabilidade e vinculação com os imóveis rurais cadastrados”.

A ideia é que a base permita identificar mudanças na malha rural, como abertura de novos acessos, alterações em caminhos existentes ou até a retirada de estradas que deixaram de ser utilizadas.

Esse decreto também prevê que as informações sejam cruzadas com outros bancos de dados já existentes, como o cadastro estadual de propriedades rurais, o CAR-MS (Cadastro Ambiental Rural de Mato Grosso do Sul) e as malhas viárias estadual e federal.

O levantamento será feito por representantes da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística), Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) e Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

O grupo terá 180 dias, contados a partir da instalação, para apresentar um relatório final ao governador. O prazo ainda poderá ser prorrogado por igual período.

Embora o decreto não anuncie obras imediatas ou uma operação de recuperação das estradas, a expectativa do governo é que o diagnóstico ajude a apontar onde estão os principais gargalos e sirva como base para futuras ações de infraestrutura e manutenção.



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