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Na ONU, Trump ameaça uso de força na América Latina – 22/09/2026 – Mundo


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua fala na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (23) para ameaçar uso de força militar nas Américas, ressaltar a importância da guerra do Irã e criticar a ONU.

Se no ano passado, o presidente falou da vontade vencer um prêmio Nobel e se gabou de, supostamente, encerrar guerras, Trump usou o plenário para aumentar pressões na América Latina. Afirmou que os cartéis são como o “Isis do Hemisfério Ocidental” —comparação com o grupo terrorista Estado Islâmico que já vinha sido feita pelo governo americano.

“Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror”, disse Trump.

“Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças ao país ganhem espaço em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, disse o republicano.

Trump dobrou a aposta ao dizer que Venezuela também tinha um aparato militar de ponta, mas nada disso deteve os Estados Unidos. Também falou que como objetivo de encerrar o tráfico de drogas na região designou os cartéis como terroristas —em nenhum momento Trump citou o Brasil ou o presidente Lula, mas o governo Trump, em maio, designou duas facções brasileirs PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.

Trump foi o segundo chefe de Estado a falar no primeiro dia do Debate Geral, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguindo a tradição segundo a qual o Brasil abre os discursos e os Estados Unidos, país anfitrião, vêm na sequência.

A fala ocorre a menos de dois meses de Trump ter seu governo testado pelas eleições de meio de mandato com uma guerra no Irã em curso e taxas de aprovação em baixa.

Em meio ao conflito com o Irã, iniciado no fim de fevereiro deste ano, Trump disse que tem uma decisão importante a tomar: firmar um acordo com o país persa ou “aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, sem jamais dar a eles a chance de voltar a matar e destruir pessoas e países”.

Porém, disse que acredita que Washington e Teerã vão chegar em um acordo após as eleições de meio de mandato, marcadas para o início de novembro.

Justificou a guerra no Oriente Médio alegando que deu ao Irã todas as chances por um acordo, mas que o país persa não deverá ter uma arma nuclear e, por isso, o conflito foi necessário. Mesmo após ameaçar assassinar uma nação, Trump voltou a afirmar que foi responsável por solucionar oito conflitos ao redor do mundo —no ano passado, ele fez uma afirmação semelhante.

Sob pressão em Cuba, Trump também disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, está tentando chegar a um acordo com a ilha, que vive sob apagões em meio a sanções impostas pelo governo americano.

“O regime cubano também passou décadas coordenando ações com radicais de esquerda e redes comunistas aqui nos Estados Unidos”, disse Trump. “Como detalhou o nosso Departamento de Estado, eles cultivaram laços com grupos subversivos e radicais, como o Partido Comunista dos EUA, a Antifa e os Socialistas Democráticos da América.”

O discurso acontece um ano depois de Trump usar sua primeira participação na Assembleia Geral desde o retorno à Casa Branca para apresentar um amplo balanço de seu governo, atacar a atuação da ONU e defender políticas mais rígidas de imigração, maior produção de combustíveis fósseis e o uso de tarifas comerciais como instrumento da política externa americana.

A passagem de Trump por Nova York também inclui uma série de encontros diplomáticos paralelos à Assembleia. Entre eles está uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a primeira presencial entre os dois desde que uma operação militar americana capturou Nicolás Maduro, em janeiro, e o levou aos Estados Unidos para responder a acusações na Justiça americana.

O encontro deve ocorrer em formato mais informal, conhecido no jargão diplomático como “pull-aside”. Rodríguez assumiu o comando do país depois da queda de Maduro e seu governo passou a negociar com Washington temas como petróleo, recuperação econômica e reestruturação da dívida venezuelana.

A Assembleia deste ano tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. Os discursos do Debate Geral seguem até a próxima segunda-feira (28).



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