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Debate teve candidatos se estranhando, briga de torcida, estratégias claras para um 2º turno e Lula e Bolsonaro em segundo plano


Com muito candidatos e pouco tempo, faltou propostas, mas sobrou cortes para rede social.

Convidados saíram reclamando, teve briga de cabos eleitorais e torcida, mas no debate mesmo foram poucos os momentos de “trocação” (termo utilizado para troca direta de golpes em uma luta) entre os candidatos.

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Como ponto favorável, um sinal de que a política está perto de se livrar da briga de torcida entre bolsonaristas e lulistas. Quatro anos após a eleição de 2022, onde a briga era para saber quem era bolsonarista ou não, os candidatos optaram por confrontos regionais.

Por incrível que pareça, foram poucos os momentos de lembranças de Lula e Bolsonaro. Curiosamente, o embate mais acalorado foi no campo da esquerda, com troca de acusações entre Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).

O único debate que teremos em Mato Grosso do Sul reunindo todos os candidatos foi marcado por certa ansiedade dos concorrentes para aproveitarem a única oportunidade de aparecer e, mais que isso, levarem a eleição ao segundo turno.

Eduardo Riedel (PP), como era de se esperar, foi o alvo da maioria dos demais candidatos. Líder em todas as pesquisas divulgadas até o momento, ele não participou dos outros debates e foi vidraça durante a maior parte do tempo.

Nas poucas oportunidades que teve para falar, aproveitou para expor realizações do governo e até se defender das críticas dos adversários. Foi, inclusive, o único a ganhar direito de resposta, tendo como principal destaque um onde foi chamado de “genocida” pelo candidato indígena, Daniel Lemes (PCO).

Daniel Lemes, desconhecido do grande público, foi um dos destaques, falando a maior parte do tempo sobre as dificuldades da população indígena. Ele fez duras críticas ao governo Riedel, a quem chamou de genocida por conta dos confrontos por terra no Estado.

Em segundo nas pesquisas divulgadas até o momento, Fábio Trad (PT) foi para cima de Eduardo Riedel, com críticas ao desenvolvimento do Estado, que avalia não ser igual para todos que vivem nele.

Fábio trouxe o tema Lula e Bolsonaro para o debate não como crítica ao adversário da direita, mas para posicionar um outro adversário: João Henrique Catan (Novo).

No discurso final, Fábio Trad disse que Catan era o representante do bolsonarismo no Estado, em uma tentativa clara de tirar votos da direita de Riedel. A estratégia passa pelo entendimento de que João Henrique Catan (Novo) é um dos poucos que poderia tirar votos de Riedel no campo bolsonarista, sendo decisivo para um segundo turno.

Catan , sempre muito crítico ao governo de Eduardo Riedel, adotou um tom mais moderado no debate, utilizando as poucas oportunidades para falar de propostas, como a de criar uma usina pública para pavimentação no Estado.

João Henrique Catan não estava em um dia de sorte e acabou sendo prejudicado pelos escolhidos para um confronto. Ele não teve a oportunidade de um embate direto com Riedel, por exemplo.

O debate marcou o retorno de Delcídio do Amaral (PRD) para o centro dos grandes debates no Estado. A campanha deste ano não tem a mesma força de 2014, quando ficou famosa a frase de que seu “ônibus” estava cheio de apoiadores.

Nesta eleição, Delcídio conta com menos de um minuto na propaganda e aproveitou o debate para falar de propostas para o desenvolvimento do Estado.

As críticas de Delcídio não foram tão ácidas ao atual governo, demonstrando, mais uma vez, ranço maior ao que classifica como “azambujismo”, em referência ao ex-governador Reinaldo Azambuja, seu adversário em 2014. O candidato reclamou da falta de tempo para falar de projetos e encerrou com um texto onde falava das dificuldades que passou nos últimos anos.

O candidato Renato Gomes (DC) manteve o discurso forte de oposição, com duras críticas a Eduardo Riedel e a economia do Estado, aproveitando o fato de ser economista.

Lucien Rezende (PSOL) e Jeferson Bezerra (Agir) partiram para a tática do “atirar para todos os lados”, na tentativa de dizer que “todos os outros eram iguais”. Além disso, dividiram o discurso do “pedido de oportunidade” para um cidadão comum mudar o estados Estado.

Corrupção e briga

O tema corrupção foi um dos mais abordados durante o debate, com diversas citações de operação do Gecoc e Gaeco.

A educação também ganhou espaço com a discussão sobre a desigualdade salarial entre comissionados e concursados. Um dos embates envolveu Riedel e Fábio Trad.

No lado de fora, destaque para briga entre “torcida e cabos eleitorais”, que se agrediram e ao vivo durante o intervalo. Para alguns, o debate terminou na delegacia, com acusação até de agressão a mulheres.

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