Hospital diz estar sem equipe completa e afirma que aporte de R$ 4 milhões ainda não chegou

Quatro crianças aguardam cirurgia cardíaca pediátrica na Santa Casa de Campo Grande, que publicou nota na tarde desta quinta-feira (10) para explicar a suspensão temporária dos procedimentos eletivos. No texto, o hospital atribuiu a paralisação à falta da equipe médica especializada necessária para realizar as operações.
A Santa Casa de Campo Grande suspendeu temporariamente as cirurgias cardíacas pediátricas eletivas por falta de equipe especializada. Dos dois cirurgiões que atuavam na área, um está afastado por problemas de saúde e o outro pediu rescisão. Quatro crianças aguardam procedimento. O hospital também informou que não recebeu os R$ 4 milhões anunciados pela Prefeitura e que o contrato com o SUS não cobre os custos operacionais da instituição.
Segundo a Santa Casa, dois cirurgiões cardíacos pediátricos atuavam na área antes da suspensão. Um deles está afastado por problema grave de saúde, enquanto a outra profissional pediu rescisão contratual. O hospital afirma que a especialidade tem poucos profissionais disponíveis e que, por isso, não consegue substituir a equipe de forma imediata.
No comunicado à imprensa, a instituição ressalta que a interrupção atinge apenas as cirurgias eletivas e não representa o encerramento da assistência pediátrica. “Os pacientes continuam sendo acolhidos, acompanhados e submetidos aos exames necessários, inclusive os 4 que atualmente aguardam procedimento cirúrgico”, informou. A Santa Casa, no entanto, não apresentou prazo para a realização dessas operações.
O hospital também usou o comunicado para esclarecer quando informou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre a suspensão. Segundo a instituição, ofício foi enviado em 3 de setembro, às 16h46. A informação diverge da manifestação feita pela secretaria dois dias depois, quando a pasta afirmou ao Campo Grande News que não havia recebido comunicação oficial sobre a interrupção do serviço.
Outro ponto abordado pela Santa Casa foi o montante anunciado pela Prefeitura de Campo Grande para auxiliar a instituição. O município havia informado em 3 de setembro que preparava o repasse para ajudar na compra de medicamentos, insumos e materiais. “Quanto ao aporte de R$ 4 milhões divulgado publicamente, a Santa Casa esclarece que, até o presente momento, esses recursos não foram recebidos pela instituição”, afirma a nota.
A instituição também relacionou as dificuldades do serviço à situação financeira do contrato mantido para atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o texto, os pagamentos continuam, mas não seriam suficientes para equilibrar os custos do hospital.
“Embora pagamentos estejam sendo realizados, permanece o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, situação que impacta a sustentabilidade da instituição e a manutenção de equipes, medicamentos, insumos e materiais”, declarou.
Entenda o caso – A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas já havia sido mostrada pelo Campo Grande News no sábado (5). Na ocasião, a reportagem revelou que o serviço enfrentava falta de profissionais, além de dificuldades relacionadas à disponibilidade de UTI, medicamentos, equipamentos e outros materiais necessários para os procedimentos. A paralisação atingiu as operações programadas, enquanto os atendimentos de urgência continuaram.
Na quarta (9), a Sesau afirmou que a suspensão ainda não havia provocado impacto significativo na rede municipal e que pacientes continuavam a ser encaminhados pela regulação. O Conselho Municipal de Saúde, porém, informou que discutia alternativas para crianças que precisassem de cirurgia cardíaca.


