O dia 30 de agosto de 2026 marcou um ano da morte de Luis Fernando Verissimo, um dos mais importantes cronistas brasileiros. O escritor morreu em 2025, aos 88 anos, em Porto Alegre, após complicações decorrentes de uma pneumonia. Filho do também escritor Érico Verissimo, ele construiu uma trajetória própria e se tornou referência na literatura brasileira. Ao longo de mais de seis décadas, destacou-se pelo humor, pela ironia e pela observação do cotidiano.
Foto: Unesp/Divulgação
Nascido em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936, Veríssimo passou parte da infância e da adolescência nos Estados Unidos. O período vivido no exterior teve influência importante em sua formação cultural, especialmente por seu contato com a músico, mais particularmente o jazz. Ainda jovem, começou a estudar saxofone e desenvolveu uma paixão que o acompanharia durante toda a vida. A experiência internacional também ampliou seu repertório de referências literárias e culturais.
Foto: Rodrigo W. Blum / Divulgação Unisinos
De volta ao Brasil, em 1956, iniciou sua carreira profissional no departamento de arte da Editora Globo, em Porto Alegre. Na década seguinte, também trabalhou como tradutor e redator publicitário no Rio de Janeiro, antes de retornar à cidade natal. Em 1967, ingressou no jornal “Zero Hora” como revisor e, dois anos depois, passou a assinar sua própria coluna. A atividade jornalística seria fundamental para consolidar seu estilo e sua presença entre os leitores.
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Verissimo rapidamente transformou a crônica em um espaço para observar costumes, política, relações humanas e situações aparentemente banais. Seu texto combinava linguagem acessível, humor sofisticado e uma capacidade particular de identificar o absurdo presente no cotidiano. Em suas colunas, também abordou temas como futebol (era torcedor apaixonado do Internacional), cinema, literatura, música e comportamento. A concisão e a precisão das frases se tornaram algumas de suas marcas mais reconhecidas.
Foto: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo/Wikimedia Commons
Na literatura, criou personagens que ganharam grande popularidade, como Ed Mort, o Analista de Bagé e a Velhinha de Taubaté. Suas histórias frequentemente utilizavam a sátira para comentar comportamentos individuais e aspectos da sociedade brasileira. Entre seus livros mais conhecidos estão “O Analista de Bagé”, “As Mentiras que os Homens Contam” e “Comédias da Vida Privada”. Esta última obra tornou-se uma de suas coletâneas mais emblemáticas e virou uma série de TV de grande sucesso na Rede Globo nos anos 90.
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A produção de Verissimo, porém, não ficou restrita às crônicas e aos contos de humor. O escritor também publicou romances, livros infantis, textos de viagem e obras relacionadas à música e ao futebol. Entre seus romances estão “O Clube dos Anjos”, “Borges e os Orangotangos Eternos” e “O Jardim do Diabo”. Ao longo da carreira, publicou dezenas de livros e transitou por diferentes gêneros, mantendo como característica a observação crítica da sociedade.
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Além da literatura e do jornalismo, Verissimo trabalhou como cartunista, roteirista, dramaturgo, tradutor e músico. O jazz ocupou lugar especial em sua vida, tanto como paixão quanto como atividade artística, e ele chegou a integrar grupos musicais como saxofonista. Sua discrição contrastava com a enorme popularidade alcançada por seus textos. Mesmo evitando a exposição pública, tornou-se um dos autores brasileiros mais lidos de sua geração.
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Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde que limitaram sua atuação pública, entre eles a doença de Parkinson e as sequelas de um AVC sofrido em 2021. Ainda assim, seu legado permaneceu presente em novas edições, adaptações e na memória de milhões de leitores. A morte encerrou uma trajetória marcada pela capacidade de transformar situações comuns em reflexão e humor.
Foto: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo/Wikimedia Commons
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