A queda da ponte sobre o Rio Taquari deixou de ser apenas problema de engenharia. Alexandre de Freitas, de 49 anos, caminhoneiro havia cerca de três décadas, morreu preso na cabine depois que a estrutura desabou no dia 13 de agosto.

A filha, Bruna Lima, quer respostas.
“Quero justiça e explicação do Estado”, disse ao Campo Grande News.
Segundo ela, a informação recebida pela família é de que a ponte estaria havia cerca de 20 anos sem manutenção. Cabe ao Estado esclarecer isso apresentando inspeções, serviços realizados e datas.
Depois da tragédia veio uma revelação do governador Eduardo Riedel: sete pontes teriam sido construídas pela mesma empresa e três já caíram. A Agesul agora avalia as demais e admite até demolir ou implodir estruturas consideradas inseguras.
A pergunta é simples: por que esse pente-fino veio depois de uma morte?
Os casos que conseguimos documentar mostram que a história precisa ser explicada melhor.
A ponte do Rio Taquari, construída em 2008, teve contrato de R$ 1.840.722,41 com a Geoserv Serviços de Geotecnia e Construção Ltda.
Em Guia Lopes da Laguna, a ponte sobre o Rio Santo Antônio, na MS-382, caiu em 2016. A obra, executada pela Wala Engenharia Ltda., custou cerca de R$ 1,25 milhão.
Em Rio Negro, a ponte sobre o Rio do Peixe, na MS-080, caiu em fevereiro deste ano. Para construir a nova estrutura, o governo Riedel contratou a Paulitec Construções Ltda. por R$ 13.284.322,52. Esse valor é da reconstrução, não da ponte antiga.
Portanto, existe algo que a Agesul precisa esclarecer. Se as três pontes mencionadas por Riedel pertencem a um grupo de sete construídas pela mesma empresa, qual empresa é essa e quais são exatamente as sete estruturas?
Os documentos encontrados até agora mostram empreiteiras diferentes.
E tem uma praticamente no quintal de Bonito
Na MS-345, Estrada do 21, entre Bonito e Anastácio, está a ponte sobre o Rio Miranda, conhecida como “ponte gangorra” depois de apresentar movimentação na estrutura.
Ela não caiu. Ainda bem.
Agora passa por recuperação contratada pela Agesul com a Águia Construtora Ltda. por R$ 3.309.408,68.
A ponte é antiga e não foi construída pelo governo Riedel. Mas fiscalização, manutenção e segurança de uma rodovia estadual são responsabilidades de quem administra o Estado hoje.
Por isso Bonito também tem motivo para perguntar: a ponte do Rio Miranda está entre as estruturas submetidas a essa nova avaliação? A reforma de R$ 3,3 milhões resolve definitivamente o problema? Existe laudo atualizado garantindo sua segurança?
No Taquari, a estimativa preliminar para reconstrução já está entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.
Depois que cai aparecem engenheiros, máquinas, perícias, contratos emergenciais e milhões.
Alexandre precisava que essa preocupação aparecesse antes.
A família quer justiça. O Bonito Sem Filtro quer os contratos. E quem atravessa essas pontes quer algo bem mais básico:
chegar do outro lado.
Ponte da rodovia MS-382 desabou em Guia Lopes da Laguna (Foto: Ademir Souza Almeida/arquivo pessoal)


