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Bonito fica com a “pulga atrás da orelha”: cidade volta a receber buscas do Gaeco na Operação Auditus

Cidade aparece pela segunda vez nas buscas da investigação que começou com suspeitas no “teste da orelhinha”. Operação já aponta prejuízo superior a R$ 4 milhões em Nioaque e suspeita de expansão do esquema para outros municípios

Bonito voltou a aparecer no mapa da Operação Auditus. Nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, segundo informação uma pessoa moradora do loteamneto Tarumã foi colocada em custódia, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a segunda fase da investigação, com cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

O detalhe que interessa diretamente ao bonitense é simples: não é a primeira vez. Na primeira fase, em 1º de julho de 2025, foram cumpridos 10 mandados de busca em Nioaque, Jardim e também em Bonito.

A Auditus começou a partir de suspeitas envolvendo a cobrança de exames de triagem auditiva neonatal, o conhecido teste da orelhinha, que, segundo o MPMS, teriam sido pagos sem efetiva realização. Daí veio o nome da operação: Auditus, “audição” em latim.

Só que a investigação foi muito além da orelhinha. Após analisar o material apreendido na primeira fase, o Ministério Público afirma ter encontrado indícios de direcionamento de contratações, pagamento por serviços médicos não realizados, falsificação de documentos, desvio de recursos públicos e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Os números são pesados. Segundo o MPMS, os gastos investigados cresceram 1.713% entre 2022 e 2025, e 83% dos exames e consultas pagos pelo Município de Nioaque teriam sido simulados. O prejuízo estimado, que em 2025 ultrapassava R$ 3 milhões, agora passa de R$ 4 milhões.

Outro ponto merece atenção: o Ministério Público afirma que o grupo investigado estaria tentando expandir o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul.

E é justamente aí que Bonito fica com a pulga atrás da orelha.

Até agora, o MPMS não informou publicamente quem foi alvo das buscas realizadas em Bonito, quais endereços foram alcançados nem qual a relação desses alvos com a investigação. Também não há, na divulgação oficial, acusação de participação da Prefeitura de Bonito no esquema. Busca não é condenação, e estar entre os municípios onde houve diligências não significa que a administração municipal esteja sendo investigada.

Mas existe uma pergunta que não dá para varrer para debaixo do tapete: por que Bonito apareceu nas buscas da Auditus em 2025 e voltou a aparecer em 2026?

PONTO DE VISTA — BONITO SEM FILTRO NEWS

Não vamos inventar culpados nem antecipar sentença. Mas também não vamos fazer de conta que duas visitas da mesma operação são um detalhe sem importância.

A investigação começou pelo teste da orelhinha, encontrou suspeitas milionárias e agora fala até em tentativa de expansão para outros municípios. Bonito esteve no mapa nas duas fases. Portanto, queremos saber quem foi alvo aqui e qual sua ligação com o caso.

Ultimamente, Bonito anda ficando familiar demais com nomes de operações e siglas de órgãos de investigação. Agora chegou a Auditus.

E a ironia veio pronta: depois de duas fases com buscas em Bonito, uma operação cujo nome significa “audição” deixou a cidade inteira querendo ouvir uma explicação.

Até lá, fica a pulga atrás da orelha.

Bonito Sem Filtro News — sem acusação antecipada, mas sem silêncio conveniente.

As prisões são preventivas, e os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa. Eventual responsabilização dependerá das investigações e do devido processo legal.

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