Tem contrato que cresce igual criança: devagar.
Tem contrato que cresce igual adolescente: de uma hora para outra.
E tem contrato que parece tomar fermento.
Em Bonito, a Horizon Editorial saiu de um contrato de R$ 137.917,50, em 2025, para um contrato que, após aditivo, alcançou R$ 1.673.390,25 em 2026.
Um salto de mais de doze vezes em pouco mais de um ano.
A pergunta não é se podia. A pergunta é: como essa história foi construída?
Porque dinheiro público não faz mágica. Ele deixa rastros. E os rastros estão nos documentos oficiais.
O Bonito Sem Filtro News reuniu a cronologia completa dessa contratação. Não estamos aqui para condenar ninguém. Também não estamos no clube do “confia que dá certo”.
Estamos no clube do “mostra os documentos”.
E documento, quando fala, costuma falar alto.
09 DE MAIO DE 2025 — COMEÇA A HISTÓRIA
A Prefeitura de Bonito contrata a Horizon Editorial por inexigibilidade de licitação para fornecer material de apoio diagnóstico ao 5º ano.
Valor: R$ 137.917,50.
Tudo dentro da lei? Essa resposta cabe aos órgãos competentes.
Mas uma curiosidade já aparece logo na largada.
O Termo de Referência classifica os materiais como bens comuns, enquanto a contratação ocorre por inexigibilidade, modalidade utilizada quando a competição é considerada inviável.
É justamente esse tipo de detalhe que costuma fazer os órgãos de controle pegarem a lupa.
29 DE JULHO DE 2025 — PIX CONCLUÍDO
O contrato é liquidado e pago integralmente. Fim da história? Nem de longe. Era apenas o trailer.
INÍCIO DE 2026 — A CONTINUAÇÃO QUE NINGUÉM ESPERAVA
A mesma empresa. A mesma secretaria. A mesma modalidade de contratação.
Mas agora o roteiro muda completamente. Sai um contrato de pouco mais de cento e trinta mil.
Entra outro de R$ 1.338.756,00. Depois, um aditivo.Resultado final:
R$ 1.673.390,25.
Nem professor de Matemática precisou de calculadora para perceber que a conta ficou bem maior.
O PLANEJAMENTO ENTROU DE RECUPERAÇÃO?
O Estudo Técnico Preliminar informa que a contratação não estava prevista no Plano Anual de Contratações.
A justificativa diz que a necessidade surgiu durante o início do ano letivo.
Se em 2025 já existia contratação para material pedagógico da mesma empresa, ninguém imaginava que em 2026 a rede continuaria precisando de material?
A PESQUISA DE PREÇOS OLHOU PARA QUEM?
Os preços utilizados como referência vieram de contratos da própria Horizon em outros municípios.
É como perguntar ao dono da churrascaria se o churrasco dele é bom.
A resposta provavelmente será positiva.
O ponto técnico levantado pelo dossiê é outro: houve comparação com outras soluções existentes no mercado?
20 DE MAIO DE 2026 — O CONTRATO GANHA “VITAMINA”, Veio o aditivo. Mais R$ 334 mil.
O contrato passa para R$ 1.673.390,25.
A lei permite aditivos dentro de determinadas condições.
Mas sempre fica aquela máxima do cidadão comum:
PONTO DE VISTA | BONITO SEM FILTRO NEWS
Educação não é gasto. É investimento.
Mas investimento também precisa de transparência.
Quem paga essa conta não é a Prefeitura.
Não é o prefeito.
Não é a secretária.
Não é a empresa.
É o cidadão.
A diferença é que o cidadão não recebe apostila, plataforma digital nem assessoria pedagógica.
Recebe apenas o boleto dos impostos.
Por isso perguntar nunca será um problema.
Problema seria a população parar de perguntar.




